Calculadora de pontos de desconto do financiamento imobiliário

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Pontos de desconto são juros pagos adiantado: você entrega ao banco uma quantia na assinatura do contrato e, em troca, recebe uma taxa de juros menor por todo o prazo do financiamento. A dúvida é se essa troca compensa. Vale dizer logo de início: pontos de desconto são um produto do mercado imobiliário dos Estados Unidos e os bancos brasileiros não vendem a taxa dessa forma. Esta calculadora compara dois cenários lado a lado: o financiamento na taxa original e o mesmo financiamento com a taxa reduzida depois da compra de pontos. Ela devolve a economia mensal, o mês de equilíbrio e o total de juros que você economizaria levando o contrato até o fim.

Como avaliar os pontos de desconto

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    Informe o valor financiado e o prazo

    Por exemplo, R$ 300.000 em 30 anos. A calculadora lê apenas números, então serve para qualquer moeda.

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    Informe as duas taxas

    A taxa sem pontos (por exemplo, 6,5%) e a taxa com pontos (por exemplo, 6,0%). Regra prática: um ponto reduz a taxa em cerca de 0,25 ponto percentual.

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    Informe o custo dos pontos

    Um ponto equivale a 1% do valor financiado. Dois pontos em um financiamento de R$ 300.000 significam R$ 6.000 pagos na assinatura.

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    Leia o ponto de equilíbrio e a economia total

    A economia mensal multiplicada pelos meses em que você mantém o contrato precisa primeiro cobrir o custo dos pontos; só a partir daí existe ganho líquido. A economia total pressupõe que você chegue ao fim do prazo.

Quando os pontos compensam e quando são dinheiro jogado fora

Comprar pontos vale a pena quando duas condições acontecem ao mesmo tempo: você mantém o financiamento (sem vender o imóvel e sem fazer portabilidade) depois do mês de equilíbrio, e aquele dinheiro não tem uso melhor em outro lugar.

Existem pontos de desconto no Brasil?

Com esse nome, não. Nenhum banco brasileiro vende redução de taxa em troca de um pagamento à vista. O que mais se aproxima:

  • Amortização com FGTS. A cada dois anos você pode usar o saldo do FGTS para abater o saldo devedor ou reduzir o valor das prestações. É a versão brasileira de “pagar uma quantia agora para pagar menos depois”, e costuma ser o movimento mais eficiente que existe por aqui.
  • Taxa por relacionamento. Portabilidade de salário, seguros e conta no mesmo banco derrubam a taxa. Você não paga de uma vez, mas assume custos recorrentes que precisam entrar na conta.
  • Portabilidade do crédito imobiliário. Se os juros caírem, você pode levar o contrato para outro banco, e o atual costuma fazer contraproposta. Isso enfraquece bastante o argumento de pagar adiantado hoje por uma taxa menor.

Ainda assim, a calculadora serve para qualquer proposta do tipo “pague este valor agora e sua parcela cai”, seja qual for o nome dela. Compare sempre o CET, e não apenas a taxa nominal: uma tarifa cobrada na assinatura aumenta o CET mesmo quando a taxa cai.

Atenção ao sistema de amortização

Esta calculadora usa prestação fixa, ou seja, a lógica da Tabela Price. A maior parte dos financiamentos imobiliários no Brasil é contratada no sistema SAC, em que as parcelas começam mais altas e caem mês a mês. Se o seu contrato é SAC, use os números aqui como aproximação para comparar cenários, não como o valor exato das suas prestações.

Exemplo: financiamento de R$ 300.000, taxa fixa em 30 anos

Taxa sem pontos Taxa com 2 pontos Custo dos pontos Economia mensal Ponto de equilíbrio
6,5% 6,0% R$ 6.000 R$ 97,55 Mês 62
7,0% 6,5% R$ 6.000 R$ 99,70 Mês 61
7,5% 6,875% R$ 6.000 R$ 126,86 Mês 48

Na primeira linha, você precisa manter o financiamento por pelo menos 5 anos e 2 meses para recuperar os R$ 6.000. Dali em diante, cada mês é economia pura de juros e, ao longo dos 30 anos completos, o ganho líquido depois de descontado o valor pago à vista fica em torno de R$ 29.100.

O ponto de equilíbrio em bom português

Mês de equilíbrio = custo dos pontos ÷ economia mensal, arredondado para cima. É o mês em que você recuperou exatamente o que adiantou. Depois dele você ganha; antes dele você perde.

Quando não comprar pontos

  • Quando você pretende vender ou fazer portabilidade em menos de 5 anos. A maioria dos pontos de equilíbrio cai entre 4 e 7 anos. Vender antes significa ter pago todo o custo inicial e ter embolsado apenas parte da economia.
  • Quando o caixa está apertado na assinatura. Os pontos comem sua reserva de emergência. Guardar R$ 6.000 para imprevistos costuma valer mais do que economizar cerca de R$ 98 por mês nos próximos 30 anos.
  • Quando o vendedor está bancando os custos. Se o abatimento dado pelo vendedor cobre o custo dos pontos, veja antes se ele não pode virar um desconto maior no preço do imóvel. Às vezes dá, às vezes não: depende do costume daquele mercado.
  • Quando oferecem pontos negativos (um bônus do banco). Aí a conta se inverte: o banco paga você para aceitar uma taxa mais alta. Pode ser uma boa jogada de curto prazo se você já pretende trocar de banco em breve.

Tratamento tributário

No Brasil, os juros do financiamento imobiliário não são dedutíveis no Imposto de Renda da pessoa física, e tarifas pagas de uma só vez também não. O imóvel é declarado pelo custo de aquisição, e os valores pagos vão sendo somados a esse custo ao longo do tempo. Ou seja, o argumento americano de que “os pontos são juros e por isso abatem imposto” simplesmente não se aplica aqui. Se os valores forem altos, confirme com um contador.

Atalho para fazer de cabeça

Se o ponto de equilíbrio ficar abaixo de 5 anos e você tiver certeza de que vai morar no imóvel por 10 anos ou mais, compre os pontos. Se passar de 7 anos e o seu futuro for incerto, não compre. O difícil está no meio, e é exatamente aí que a comparação de cenários desta calculadora se paga.

Perguntas frequentes

Um ponto de desconto custa 1% do valor financiado, é pago na assinatura do contrato e normalmente reduz a taxa de juros em cerca de 0,25 ponto percentual. A proporção varia conforme o banco, o produto e o momento do mercado, então confirme sempre a troca na proposta oficial antes de decidir.

Não nesse formato. No Brasil a taxa cai por relacionamento com o banco, e a forma mais eficiente de reduzir o custo é amortizar com FGTS ou fazer a portabilidade do financiamento. Ainda assim, você pode usar a calculadora para avaliar qualquer proposta que troque um valor à vista por uma parcela menor.

O ponto de equilíbrio em meses é o custo total dos pontos dividido pela economia mensal na parcela. Se os pontos custam R$ 6.000 e a parcela cai R$ 100, o equilíbrio chega aos 60 meses. Mantendo o contrato por mais tempo do que isso, a compra passa a ser lucro líquido.

Este cálculo simples não considera. Se você incluir o custo de oportunidade do valor pago adiantado, ou seja, o que ele renderia em uma aplicação, o equilíbrio se desloca alguns meses para a frente. Em valores pequenos o efeito costuma ser modesto, mas é real.

Nada do que você digita sai do seu navegador. Os números da comparação são calculados localmente durante a sessão e descartados quando você fecha a aba.

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